O ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB) e o empresário Eike Batista estão sujeitos a uma investigação criminal nos Estados Unidos pela destinação de US$ 16,5 milhões em propina para a compra de ações de empresas listadas na Bolsa de Valores de Nova York - o dinheiro foi pago como suborno pelo empresário ao ex-governador, segundo a Operação Eficiência, deflagrada no último dia 26 pela Polícia Federal. Eike foi preso nesta segunda-feira (30) pela Polícia Federal, ao retornar dos Estados Unidos.
Sérgio Cabral, que está preso desde novembro na Operação Calicute e agora é alvo da Operação Eficiência deflagrada no dia 26, utilizava um complexo esquema de contas no exterior para ocultar o dinheiro ilegal que, supostamente, recebia, segundo denúncia da Procuradoria da República. A acusação aponta uma lista de nove contas bancárias, onde o dinheiro das propinas seria depositado, em instituições bancárias na Suíça, Luxemburgo, Bahamas, Uruguai e Andorra.
- De acordo com a investigação, os valores foram distribuídos no mercado de ações como títulos da Vale do Rio Doce, Petrobras e Ambev. O Departamento de Justiça americano é conhecido pelo rigor com que trata estrangeiros investigados por lavagem de dinheiro nos Estados Unidos – diz a reportagem, que acrescenta: “Seguindo instruções do então sócio de Eike, Flávio Godinho (preso preventivamente), de acordo com a versão dos delatores, o contrato foi celebrado com o falso propósito de intermediar a compra de uma mina de ouro pelo Grupo X, de Eike Batista".
PRISÃO – Eike batista estava na lista de procurados pela Interpol e embarcou na noite de domingo no Aeroporto John F. Kennedy, de Nova York, nos Estados Unidos, em um voo da American Airlines com destino ao Rio. O voo chegou cerca de 30 minutos antes do previsto. Assim que pisou na pista do aeroporto, Eike foi preso por agentes da Polícia Federal que já o esperavam e o empresário foi colocado dentro de um veículo da corporação. Depois, foi levado para o Instituto Médico Legal (IML) e depois para o presídio Ary Franco, em Água Santa.
As investigações da organização criminosa liderada pelo ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral são do Ministério Público Federal (MPF) no Rio de Janeiro, que pediu à Justiça a decretação de nove prisões preventivas (por tempo indeterminado), quatro conduções coercitivas e o cumprimento de buscas e apreensões em 27 endereços no Rio de Janeiro, Niterói, Miguel Pereira e Rio Bonito, através da Operação Eficiência.
O empresário é suspeito de pagar propina e participar de esquema de desvio de dinheiro público na gestão do ex-governador Sérgio Cabral. Ele também é réu em duas ações penais, acusado de ter cometido crimes de manipulação de mercado e uso de informação privilegiada (insider trading).


