A prestação de serviços de monitoramento de presos por tornozeleiras eletrônicas pela Secretaria de Administração Penitenciária do Estado (Seap), entre 2012 e 2014, foi alvo da Operação Zuzá do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) e da Delegacia Fazendária (Delfaz) no último dia 24. Um dos presos foi o coronel reformado da Polícia Militar Sérgio do Monte Patrizzi, ex-subsecretário adjunto de infraestrutura da Seap e que foi secretário em Duque de Caxias por duas vezes, em gestões de José Camilo Zito. Outro ex-secretário que está sendo procurado é o ex-vendedor de seguros Francisco de Assis Neto, o Kiko, que foi Secretário de Comunicação da Prefeitura na primeira gestão de Washington Reis na Prefeitura. Kiko, que estaria em viagem nos Estados Unidos, foi subsecretário adjunto da área de publicidade no governo de Sérgio Cabral. Ao lado de Eike Batista, foi um dos dois alvos da Operação Eficiência. Eike está na lista da Interpol.
TORNOZELEIRAS - Na primeira operação, os agentes cumpriram oito mandados de busca e apreensão, nos Estados do Rio de Janeiro e São Paulo, a pedido do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO-MPRJ). Os mandados foram expedidos pela 19ª Vara Criminal da Capital, que recebeu denúncia oferecida pelos promotores de Justiça contra quatro ex-integrantes da Seap e um empresário, acusados de fraudar a Lei de Licitações e peculato (desvio de dinheiro público) nos mesmos contratos. A ação também contou com o apoio do GAECO e da Polícia Civil, ambos do Estado de São Paulo.
A denúncia apresentada pelo GAECO acusa de práticas de fraude e peculato, além de Patrizzi, Acílio Alves Borges Júnior (ex-superintendente de Logística), Wellington Perez Moreira (ex-diretor-geral de Administração e Finanças), o subtenente da PM Paulo Sérgio Duarte (ex-chefe do Departamento de Compras) e o empresário Marcelo Ribeiro de Almeida (representante do Consórcio de Monitoramento Eletrônico de Sentenciados (CMES), liderado pela empresa Synergye Tecnologia da Informação Ltda. Sérgio Patrizzi foi comandante do 15º BPM (Duque de Caxias) e posteriormente Secertário de Ação Social na segunda gestão de Zito e Secretário de Integração, Segurança Pública e Defesa Civil em seu último governo.
PROPINAS – Segundo as denúncias, Kiko foi beneficiado com R$ 7,7 milhões do esquema de propinas. Segundo o jornal “O Globo" (27 de janeiro), Kiko começou na política pelas mãos do prefeito de Duque de Caxias, Washington Reis, que organizava eventos populares da prefeitura, chegando a titular da Secretaria de Comunicação e Eventos do município. Veio a conhecer o secretario estadual de governo de Cabral, Wilson Carlos,que o convidou a integrar a equipe de comunicação do governo Cabral. Ele assumiu o cargo de subsecretário adjunto cuidando especificamente dos investimentos publicitários e dos eventos do governo. Os investigadores suspeitam que o dinheiro transferido para Kiko pode ser a ponta de lança do esquema que envolvia o pagamento de propina em contratos na área publicitária.
O advogado Breno Melarano, que o defende, disse que seu cliente embarcou para os Estados Unidos no final de dezembro e tinha volta prevista para o início de fevereiro. Agora, ao tomar conhecimento do pedido de prisão, vai antecipar seu retorno ao Brasil A empresa Corcovado disse desconhecer os motivos de ter tido seu nome envolvido na investigação e acrescentou que forneceu todo o material solicitado pelos investigadores.


