A Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA) assinou acordo com a Secretaria Estadual do Ambiente do Estado do Rio de Janeiro e com associações de pescadores da Baía de Sepetiba para financiamento de vários projetos na área pesqueira. A compensação financeira aos pescadores foi acertada durante o processo de licenciamento ambiental da usina, que fica na zona oeste da cidade do Rio. A CSA terá que gastar R$ 4,6 milhões em projetos como transporte de peixes, beneficiamento do pescado e educação para os filhos dos pescadores da região.
A companhia siderúrgica tem sido alvo de polêmicas desde antes de sua instalação. Os pescadores dizem, por exemplo, que a instalação da usina, no bairro de Santa Cruz, está prejudicando a atividade pesqueira na região. No ano passado, logo depois de sua inauguração, a CSA liberou grande quantidade de fuligem na atmosfera, o que levou o Ministério Público a abrir inquérito contra a empresa, por crime ambiental. A empresa também foi multada pela Secretaria Estadual do Ambiente.
A CSA é uma joint venture que tem 90% das ações sob controle da siderúrgica alemã ThyssenKrupp Steel e 10% nas mãos da Companhia Vale do Rio Doce. O primeiro processo contra a CSA foi movido em março de 2006 pela associação de pescadores da ilha da Madeira, que pedia o cancelamento da licença ambiental dada à empresa e questionava a tecnologia de dragagem usada por ela. A siderúrgica obteve uma licença preliminar da agência ambiental fluminense em2007 para iniciar as obras de uma siderúrgica com capacidade para produzir 5 milhões de toneladas de aço por ano em Santa Cruz (zona oeste do Rio) a partir de 2009.
No final de 2006, a CSA iniciou uma polêmica operação de dragagem na baía de Sepetiba, para permitir a instalação de um terminal de exportação de aço. A dragagem agitou resíduos de zinco e cádmio que estavam no fundo da baía desde um acidente industrial há cerca de dez anos. Segundo a Associação de Aqüicultores e Pescadores de Pedra de Guaratiba, as obras da siderúrgica agridem um criadouro natural, dentro de uma reserva, ao devastar quatro mil metros quadrados de manguezal e causar degradação no mar, revolvendo todo o lodo contaminado pela empresa mineradora Ingá Mercantil, já desativada, que deixou uma grande área poluída com metais pesados.


