COLUNA: O Rio de Janeiro e o mercado público de R$ 13 bilhões
- fev 19, 2026
Oportunidade ou burocracia?
O cenário das contratações públicas no Rio de Janeiro em 2026 projeta cifras que impressionam: estimativas da Firjan e portais de transparência indicam um movimento superior a R$ 13 bilhões em editais estaduais e municipais. Para o empresário que busca resiliência, o Estado deixou de ser apenas um regulador para se tornar o cliente mais estratégico da carteira. A consolidação da Nova Lei de Licitações (Lei 14.133/2021) foi o divisor de águas, substituindo o antigo receio pela segurança jurídica de processos 100% eletrônicos e critérios de julgamento mais objetivos.
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Um dos campos mais férteis atualmente é o de Tecnologia voltada à Saúde. Com o recente aporte de R$ 170 milhões para a reestruturação da rede federal no Rio e o avanço da digitalização hospitalar, a demanda por softwares de gestão e soluções de IA nunca foi tão alta. A jurisprudência do TCU tem reforçado a competitividade, proibindo exigências que barram empresas inovadoras, como a necessidade de manter profissionais caros em folha antes mesmo da assinatura do contrato.
Para quem deseja iniciar, o "pulo do gato" reside na Dispensa Eletrônica. Trata-se de um rito ágil para contratações de menor valor que podem chegar um pouco mais que R$ 65 mil para bens e serviços comuns, permitindo que a empresa sinta o "pulso" do mercado público sem a complexidade de um grande pregão. É uma porta de entrada estratégica para construir o chamado atestado de capacidade técnica, o documento que funciona como o passaporte para contratos ainda maiores no futuro.
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Apesar das oportunidades, o sucesso nesse mercado exige o abandono do amadorismo. O Judiciário e os Tribunais de Contas têm sido rigorosos com o cumprimento dos editais, o que privilegia empresas organizadas. Estar atento à ordem cronológica de pagamentos, hoje protegida por lei, garante que a previsibilidade financeira não seja apenas uma promessa, mas um direito exigível. A segurança no recebimento, aliada à transparência do Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP), mudou definitivamente a relação entre o público e o privado.
Em suma, vender para o Governo no Rio de Janeiro hoje não é uma questão de "contatos", mas de conformidade e visão de mercado. O empresário que compreende as regras do jogo e se posiciona em nichos de alta demanda, como infraestrutura e tecnologia, deixa de competir por preço no saturado mercado privado para atender a uma demanda que não para de crescer. O mercado público está aberto; a pergunta é se a sua estrutura jurídica e operacional está pronta para o próximo edital?
Dra. Gilmara Rodrigues do Nascimento
gilmararodriguesadv@gmail.com
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