Presidente da Alerj reage a ataques contra o Legislativo: "Ataque ao povo fluminense"
- mai 27, 2026
Douglas Ruas (PL) abriu a sessão desta terça-feira cobrando retratação do presidente da República e apontando omissão do governo federal na segurança pública do Rio.
O presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), deputado Douglas Ruas (PL), abriu a sessão plenária desta terça-feira (26/05) com um duro pronunciamento em resposta às declarações feitas pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), contra o parlamento no último fim de semana.
Em seu discurso, Ruas defendeu a autonomia e a legitimidade do Legislativo do Rio, exigindo reciprocidade no tratamento entre os mandatários das diferentes esferas de poder.
"A Alerj respeita as instituições da República e espera o mesmo respeito por parte de todas as autoridades do país, inclusive do Presidente da República. É inaceitável qualquer tentativa de generalizar ou criminalizar o Parlamento fluminense e seus representantes eleitos pelo povo do Rio de Janeiro", afirmou o presidente da Casa.
Cobrança por denúncias formais e retratação
Douglas Ruas sublinhou que a composição da Alerj é fruto direto do processo democrático e que as críticas generalizadas ferem a escolha do eleitorado do estado. O deputado desafiou o chefe do Executivo federal a formalizar acusações caso possua elementos concretos contra integrantes da Casa.
"Aqui estão reunidos mais de 3 milhões de votos. Quando o presidente nos ataca de forma generalizada, é um ataque ao povo fluminense. Fomos desrespeitados sem qualquer prova. Que o Lula possa refletir sobre a sua declaração e, quem sabe, se retratar", declarou Douglas Ruas na tribuna.
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Fronteiras abertas e ausência de políticas nacionais de segurança
Ao rebater as críticas, o presidente da Alerj vinculou a crise na segurança pública do Rio de Janeiro à falta de atuação estratégica e estrutural por parte do governo federal. Ruas destacou a vulnerabilidade das divisas do país como fator preponderante para o fortalecimento das organizações criminosas que atuam no estado.
De acordo com o parlamentar, a superação dos desafios atuais depende de cooperação técnica, e não de embates ideológicos na imprensa:
"Os problemas de segurança pública do Rio estão relacionados à ausência de políticas nacionais eficazes de combate ao tráfico de armas, às fronteiras abertas ao crime organizado e à expansão das facções criminosas pelo país. O momento exige união institucional, equilíbrio e responsabilidade. Não declarações que estimulem divisão política ou prejulguem instituições", reforçou.
Plenário da Alerj ecoa críticas a discursos de Lula
O posicionamento do presidente da Assembleia Legislativa foi acompanhado por manifestações de outros parlamentares fluminenses durante a sessão. A segunda vice-presidente da Casa, deputada Tia Ju (REP), também usou a palavra para classificar a fala de Lula como um retrocesso institucional e um desrespeito à soberania do voto.
"Isso é rasgar a Constituição e dizer que o voto popular não serve para nada", declarou Tia Ju, que rotulou as declarações presidenciais como uma "afronta" direta aos eleitores do Rio de Janeiro, afirmando ainda que o teor do discurso do mandatário "chacoteia o sistema democrático de direito".
Nota oficial da Alerj
A Alerj emitiu uma nota oficial acerca das falas do presidente Lula. Leia a íntegra:
"A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro respeita as instituições da República e espera o mesmo respeito por parte de todas as autoridades do país, inclusive do Presidente da República.
É inaceitável qualquer tentativa de generalizar ou criminalizar o Parlamento fluminense e seus representantes eleitos pelo povo do Rio de Janeiro. A Alerj é uma instituição democrática, legítima e merece respeito.
O Rio de Janeiro enfrenta desafios históricos na segurança pública, muitos deles relacionados inclusive à ausência de políticas nacionais eficazes de combate ao tráfico de armas, às fronteiras abertas ao crime organizado e à expansão das facções criminosas em todo o país.
O momento exige união institucional, equilíbrio e responsabilidade — e não declarações que estimulem divisão política ou prejulguem instituições.
Seguiremos trabalhando pelo fortalecimento da democracia, da segurança pública e da defesa da população do Estado do Rio de Janeiro."



