Redes sociais moldam decisão de eleitores jovens e desafiam combate à desinformação
- set 07, 2026
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Pesquisa do DataSenado mostra que 72% dos jovens entre 16 e 29 anos utilizam meios digitais como principal fonte de notícias, levantando debates sobre a Teoria do Agendamento e os riscos de conteúdos falsos nas eleições.
Durante o período eleitoral, a repercussão de um debate político se espalha pelas plataformas digitais em poucos minutos, com trechos e recortes que circulam massivamente. Enquanto no passado o rádio e a televisão centralizavam essa visibilidade, as transformações midiáticas alteraram profundamente o consumo de notícias. Uma pesquisa do DataSenado aponta que 72% dos jovens entre 16 e 29 anos utilizam os meios digitais como principal fonte de informação, comparado a 21% das pessoas com mais de 60 anos.
Essa mudança comportamental fomenta discussões sobre como a exposição à política no ambiente digital interfere na percepção do eleitor. O fenômeno remete aos estudos de Donald Shaw e Maxwell McCombs na década de 1960, que deram origem à Teoria do Agendamento, atribuindo aos meios de comunicação o poder de influenciar os temas considerados relevantes para a sociedade.
Informações na palma da mão e o desafio da checagem
Para a jornalista Evelyn Fagundes, da Agência Lupa, o consumo exclusivo de notícias por meios digitais é uma realidade consolidada entre o público jovem. "No período eleitoral, os jovens recorrem às redes e mídias digitais para buscar informações. O meio digital virou um buscador porque é fácil e prático pegar o celular e verificar informações. No entanto, eles podem ser impactados por conteúdos tanto verídicos quanto desinformativos. Os debates são amplamente repercutidos pela imprensa e, no cenário de disseminação das informações pelas redes, a imprensa também está nas redes", explica.
A estudante de Letras Marcele Ribeiro, residente em Campos dos Goytacazes, na região Norte Fluminense, relata que não busca ativamente se informar sobre política, mas consome o material que cruza sua timeline. "Geralmente acho os debates muito demorados, então assisto aos trechos que circulam na internet", relata.
O comportamento é compartilhado por Layla dos Santos, de 24 anos, também moradora de Campos dos Goytacazes. "As redes sociais hoje são minha principal fonte de notícias sobre tudo, raramente assisto ou leio jornal", afirma.
Diante desse cenário, Evelyn Fagundes reforça a necessidade de cautela. "Enquanto eleitores, não podemos nos deixar levar pelo viés de confirmação que é muitas vezes impulsionado pelas emoções de ver um vídeo ou ouvir um áudio. Precisamos sempre parar, ter dúvida e buscar o contexto para tomar uma decisão. Sempre acompanhe os veículos de informação e verificação de fatos, principalmente na época de eleição", recomenda.
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Novas regras do TSE para o uso de Inteligência Artificial
Para conter a desinformação, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou alterações nas resoluções sobre o uso de Inteligência Artificial (IA) na propaganda eleitoral. A medida busca barrar conteúdos manipulados que gerem desequilíbrio na integridade eleitoral, exigindo sinalização explícita e acessível em materiais gerados por IA.
A normativa também proíbe a publicação, republicação e o impulsionamento de novos conteúdos produzidos com IA no intervalo compreendido entre 72 horas antes e 24 horas depois do pleito, conforme previsto na Resolução nº 23.755/26, com previsão de remoção imediata em caso de descumprimento.
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