Bets reduzem consumo e atividade econômica no Brasil em até R$ 141 bilhões, aponta estudo da USP
- set 17, 2026 - Por Redação Jornal Capital
Ouça a versão em áudio deste artigo
Áudio resumo criado por Inteligência Artificial
Pesquisa do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades da FEA/USP revela que impacto das apostas esportivas equivale a quase metade do crescimento econômico e afeta contas públicas.
Um estudo realizado pelo Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades (Made), vinculado à Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária da Universidade de São Paulo (FEA/USP), revelou que as apostas online, conhecidas popularmente como bets, reduziram o consumo e retiraram da atividade econômica entre R$ 120 bilhões e R$ 141 bilhões no ano de 2025. O montante equivale a uma fatia de 0,9% a 1,1% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.
“Para dimensionar essa magnitude, a perda estimada corresponde a algo entre 40% e 50% de todo o crescimento da economia em 2025 e é cerca de cinco vezes maior que estimativas do impacto do tarifaço americano sobre o PIB brasileiro. Mesmo levando em conta as estimativas dos empregos diretos e indiretos criados associados às bets, o quadro praticamente não muda”, aponta a conclusão da pesquisa.
Impacto nas contas públicas e arrecadação
De acordo com o levantamento, a retração na atividade econômica provocada pelo setor resultaria em uma perda de arrecadação estimada entre R$ 31,1 bilhões e R$ 54,8 bilhões.
Mesmo descontando os cerca de R$ 9 bilhões arrecadados de forma direta com a taxação das plataformas de apostas, o efeito líquido sobre as contas públicas permanece negativo, variando de R$ 22 bilhões a até R$ 46 bilhões.
Os pesquisadores destacam que esse saldo negativo equivale a um percentual de 10% a 20% de todo o orçamento destinado à saúde pública na cidade de São Paulo em 2025. O dado reforça que, embora as bets gerem receita tributária direta, a perda sistêmica de atividade econômica supera essa arrecadação.
WhatsApp fica mais seguro: veja as novas proteções contra golpes e invasões
Bioestimuladores de colágeno
A notificação que paralisa o CNPJ
Endividamento e concentração de renda
O estudo também avalia que parte expressiva do volume direcionado às apostas tem gerado um avanço no endividamento das famílias. Os especialistas apontam que, caso o saldo do crédito para pessoas físicas tenha crescido cerca de R$ 450 bilhões e a transferência líquida de R$ 62,5 bilhões estivesse atrelada a novas linhas de endividamento — considerada uma hipótese extrema —, isso representaria aproximadamente 14% do aumento da dívida das famílias ao longo do ano.
Além disso, a pesquisa indica um efeito colateral negativo na distribuição de renda. Considerando que o 1% mais rico da população detém cerca de 24% de toda a renda do país, a transferência de recursos das famílias para o ecossistema de apostas ampliou a concentração de renda no topo entre 0,5% e 2,1%, a depender de quem absorve os lucros das casas de apostas.
“No primeiro caso, apenas retiramos os R$ 62,5 bilhões da renda dos 99% da base, enquanto no segundo adicionamos esse valor para o 1% mais rico. Mesmo no caso mais conservador, é um efeito significativo em um país em que a concentração de renda já é extremamente elevada”, destacam os autores do estudo.
O diagnóstico final da pesquisa reforça que o impacto das apostas ultrapassa a esfera dos prejuízos individuais. Trata-se de um fenômeno macroeconômico que drena a renda das famílias de menor poder aquisitivo, deprime a demanda agregada, prejudica o PIB, tensiona as contas públicas e acentua a desigualdade social. (com informações da Agência Brasil)




