Auditoria do Governo do Rio aponta irregularidades e rombo em contrato do Poupatempo RJ
- set 13, 2026 - Por Redação Jornal Capital
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Apuração identifica divergências milionárias entre o volume de atendimentos cobrados pelo Consórcio Central da Cidadania e os dados comprovados pelos órgãos estaduais.
Uma auditoria interna realizada pela gestão do Governo do Estado do Rio de Janeiro no contrato firmado com o consórcio que administra as unidades do Programa Poupatempo RJ identificou uma série de irregularidades na contabilização e no pagamento dos serviços prestados aos cidadãos fluminenses. O contrato em questão foi firmado em 2023 com o Consórcio Central da Cidadania, responsável pelas unidades de Bangu, Duque de Caxias e São João de Meriti.
De acordo com o relatório de auditoria, foram constatadas divergências graves entre os quantitativos de atendimentos apresentados pelo consórcio e os números efetivamente comprovados pelos órgãos parceiros do programa, como o Detran e secretarias estaduais de Educação, Transporte, Mobilidade Urbana e Defesa do Consumidor. Em determinados casos, o grupo registrou centenas de milhares de atendimentos a mais do que o Estado consegue validar em seus sistemas.
Divergências milionárias e impacto financeiro
O descompasso financeiro fica evidente nos dados de junho de 2026. Nesse período, o consórcio declarou ter realizado 845.086 atendimentos, enquanto os órgãos estaduais validaram apenas 261.783. Como o contrato estabelece o repasse de R$ 24,20 por atendimento, a diferença entre os valores cobrados e o volume efetivamente comprovado alcançou a ordem de R$ 15 milhões somente naquele mês.
O levantamento também apontou a cobrança indevida por serviços que não podem ser remunerados, tais como atividades de triagem, orientações informais, cópias de documentos, fotografias e consultas sem registro nos sistemas oficiais. Além disso, foram encontradas falhas em serviços condicionados à confirmação dos órgãos parceiros — a exemplo da entrega de carteiras de identidade e de habilitação, cuja medição depende da retirada efetiva pelo cidadão. Até maio de 2026, os relatórios sequer continham a identificação nominal ou o CPF das pessoas atendidas, exigência implementada posteriormente pelo Estado.
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Repasses parciais e ameaça de paralisação
Após a conclusão da auditoria, o Governo do Rio efetuou o pagamento bruto de R$ 14 milhões ao consórcio nesta semana. O montante refere-se a dois terços dos valores mínimos contratuais em aberto relativos aos meses de maio e junho (das três unidades), além do acerto de abril para a unidade de Duque de Caxias. O terço restante foi retido pelo Estado para abater os prejuízos identificados ao longo da execução contratual e por corresponder à margem de lucro do grupo privado.
Em resposta, o consórcio notificou o Governo do Estado exigindo a quitação integral dos valores reivindicados no prazo de cinco dias, sob a ameaça de paralisar as atividades nas unidades de atendimento.
Próximas providências jurídicas
Diante do cenário, o relatório da auditoria — conduzida sob a gestão interina do desembargador Ricardo Couto — será encaminhado ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro e ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) para a adoção das medidas de controle cabíveis.
Para evitar a suspensão dos serviços à população, a Procuradoria-Geral do Estado (PGE) acionará a Justiça. A PGE também avaliará a possibilidade de cobrança judicial de valores que tenham sido pagos indevidamente aos operadores em períodos anteriores, assegurando a continuidade do atendimento com responsabilidade fiscal.
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