O Banco Central anunciou no início da noite de ontem (28) que a taxa básica de juros (Selic) será elevada em 0,5 ponto percentual, passando dos atuais 8,5% para 9% ao ano, a partir desta terça-feira (29), e com validade para os próximos 45 dias. A decisão é do Comitê de Política Monetária (Copom), que esteve reunido terça-feira (27) e quarta-feira (28) para avaliar o desempenho das variáveis econômicas, internas e externas, com foco nas pressões inflacionárias. Terminada a reunião do colegiado de diretores do BC, o Copom divulgou nota na qual "avalia que essa decisão contribuirá para colocar a inflação em declínio e assegurar que essa tendência persista no próximo ano". A decisão do comitê foi unânime.
Foi a quarta sessão seguida em que o Copom aumentou a taxa Selic, depois de ela permanecer em 7,25% de outubro do ano passado a abril deste ano, no menor patamar da série histórica dos juros. Em abril, o Copom elevou a taxa para 7,50%, e promoveu mais duas calibragens de 0,5 ponto percentual nas reuniões de maio e julho. Dosagem repetida agora, em linha com as expectativas da maioria dos analistas financeiros, como mostra o boletim Focus, divulgado pelo BC, na última segunda-feira (26).
Com a Selic acima de 8,5%, a poupança volta a ter remuneração pela regra antiga, que equivale à correção de 0,5% ao mês (6,17% ao ano) mais Taxa Referencial (TR). Um pouco melhor que o rendimento de 70% da Selic mais TR sempre que a taxa básica de juros for igual ou menor que 8,5%. Norma que passou a vigorar em maio de 2012.
As instituições financeiras, que servem de base para a pesquisa semanal do BC sobre os principais indicadores da economia, estimam que a Selic encerrará 2013 em 9,50%. Patamar que deve permanecer durante o ano que vem.
CNI e Ibef justificam necessidade de aumento
O aumento da taxa básica de juros (Selic) de 8,5% para 9% ao ano estava dentro das expectativas da Confederação Nacional da Indústria (CNI), de acordo com nota divulgada pela entidade tão logo o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) divulgou a decisão, adotada por unanimidade. A CNI ressalta que o cenário atual, “de contração da liquidez internacional" e de “pressão sobre as moedas dos países emergentes", justifica a decisão. Acrescenta, também, que no plano doméstico, a inflação acumulada nos últimos 12 meses continua perto do teto de 6,5%, apesar da recente desaceleração do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
Para assegurar a desaceleração da inflação, com menor impacto na atividade produtiva, a CNI reitera a necessidade de haver maior sintonia entre as políticas monetária e fiscal, “com controle do ritmo de expansão dos gastos públicos", associado ao rigor e comprometimento com as metas fiscais. “Só a sincronização dessas políticas reverterá o atual quadro de alta inflação e baixo crescimento econômico", completa o comunicado.
O Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef) de São Paulo também divulgou nota na qual destaca que a elevação da Selic justifica-se, porque a inflação segue tendência de alta. Isso somado à desvalorização do real, precisa ser complementada com elevação dos juros. Política que o BC pode manter na próxima reunião do Copom (dias 8 e 9 de outubro) “se a conjuntura mundial e a tendência inflacionária assim determinarem", de acordo com a nota assinada pelo vice-presidente do Ibef de São Paulo, Keyler Carvalho Rocha.
Aumento contraria interesses da economia, diz Abad
A elevação da taxa básica de juros (Selic) para 9% ao ano, sob a justificativa de conter a inflação, é vista pela Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores (Abad) como um “remédio amargo cuja eficácia é duvidosa, enquanto o prejuízo à economia é mais do que certo". Em nota divulgada logo depois de o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) anunciar o aumento da Selic, o presidente da Abad, José do Egito Frota Lopes Filho, disse que as justificativas para o aumento “não contemplam a elevação de preços dos serviços, que compõem a inflação e respondem lentamente a qualquer medida governamental".
Ele destaca o clima de incerteza sobre a capacidade de o governo lidar com os aspectos fiscais e tributários que compõem o “custo Brasil", enquanto “as empresas são penalizadas com custos mais altos e maior dificuldade nos financiamentos, retardando novos investimentos". A Abad sugere que em vez de procurar atenuar os sintomas, promova-se medidas concretas em relação aos problemas estruturais do país. Sem isso, acrescenta, “teremos a economia patinando", com risco de ver jogadas no lixo conquistas importantes que permitiram os avanços recentes. (Agência Brasil)


