O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Armando Monteiro, disse nesta segunda-feira (8) que a redução de barreiras não tarifárias com os Estados Unidos (EUA) deve aumentar a exportação de manufaturados brasileiros. "O Brasil tem condições de ampliar as exportações de manufaturados para o mercado americano de maneira muito significativa", disse Monteiro, que acredita em um crescimento no curto prazo. "Temos a expectativa de, em até dois anos, termos resultados muito concretos". A intenção do governo é reduzir as barreiras não tarifárias para a exportação com harmonização de normas técnicas e regulatórias e também compatibilizando o portal único de comércio brasileiro com o americano.
As discussões começaram pela indústria da cerâmica, que está com o modelo quase pronto para ser apresentado. O setor têxtil e a indústria de máquinas e equipamentos serão os próximos estudados. Apesar de haver uma visita oficial do governo brasileiro aos Estados Unidos agendada para o final deste mês, Monteiro afirma que não há pressão para que seja anunciado um novo modelo durante a agenda. "É uma visita mais ampla. Tem um caráter político importante, um sinal de retomada dessa relação".
Nos dias 18 e 19 deste mês, dirigentes de empresas americanas e representantes do governo americano virão ao Brasil para se encontrar com dirigentes de empresas brasileiras. O ministro deve anunciar, no dia 23 ou no dia 24, o Plano Nacional de Exportações. Para fechar o plano, o ministério ainda discute com o governo o ajuste fiscal, na tentativa de preservar instrumentos como o Programa de Financiamento à Exportação (Proex). "É um instrumento muito importante para exportar manufaturados e para exportar serviços", disse o ministro, que tem a expectativa de receber aumento de recursos para sua pasta, apesar dos cortes. "Temos a expectativa de que sim [haverá aumento de recursos], por entender que dá um resultado em termos de custo-benefício. (Agência Brasil)
Mercosul não pode ser trava para inserção do Brasil em outros mercados
Armando Monteiro disse que o Mercosul não deve ser trava para que o Brasil busque acordos com outros mercados. O ministro participou do seminário Brasil: Perfil de Competitividade, no Rio de Janeiro, e destacou que as exportações precisam ser um canal permanente para a economia brasileira, e não um escape para momentos de crise. Ele acrescentou que um acordo entre a União Europeia e o bloco sul-americano está entre as prioridades, e revelou que desde março sua equipe tem dado "prioridade absoluta" ao mercado americano, que foi o maior comprador de produtos manufaturados brasileiros em 2014. "O Brasil fez uma construção importante na questão do Mercosul; foi uma longa construção institucional. Nós ainda reconhecemos o Mercosul como algo importante, mas o Mercosul não pode se constituir numa trava para [impedir] que o Brasil busque um padrão de inserção em outros blocos econômicos", destacou.
Depois, ao responder perguntas da plateia, o ministro afirmou que os acordo do Mercosul não colidem com negociações com outros países. "O Brasil pode, de algum modo, caminhar mesmo com as limitações que nos são impostas pelo Mercosul. Nosso casamento é indissolúvel, mas é sempre importante discutir a relação", comparou. De acordo com o ministro, o comércio exterior é uma forma de aumentar a competitividade das empresas brasileiras, porque empresas capazes de exportar se tornam mais competitivas. Ele reconheceu que a indústria sofreu nos últimos anos com a valorização do real, mas ressaltou que, no momento, o câmbio está mais favorável.
Em sua opinião, "o câmbio nos oferece uma certa janela de oportunidade. Não quero supervalorizar, porque ainda há uma apreciação, mas o fato é que ele flutuou mais, e essa flutuação vai compensar dificuldades e custos sistêmicos, que são muito altos. Temos que aproveitar esse canal [do comércio exterior]".
Armando Monteiro disse ainda que a valorização das commodities (produtos básicos com cotação internacional) nos últimos anos gerou uma acomodação no país, que se beneficiou com a alta de preços de minérios e produtos agrícolas, por exemplo. "O Brasil viveu um superciclo das commodities, que produziu uma situação de acomodação. Muitos imaginaram que o Brasil havia contratado a prosperidade de forma definitiva. No entanto, o ciclo passou, ou está passando em certa medida", disse ele, e acrescentou: "Está na hora de o Brasil voltar-se para os seus desafios, os que ainda estão aí e permanecem: uma agenda de reformas inconclusas – portanto, sem as reformas – e uma melhoria no ambiente macroeconômico, o Brasil não terá condições de retomar o seu processo de crescimento". (ABr)


