Apesar da debandada de alguns partidos e deputados de sua base aliada, com a oposição no Congresso eufórica e à beira do “já ganhou", Dilma garante: “O governo vai lutar até o último minuto" contra o que considera um “golpe". O recado foi dado na manhã de quarta-feira (13), durante uma entrevista no Palácio do Planalto. Foram cerca de duas horas de conversa. Dilma mostrou-se firme e segura quanto a seu futuro, ânimo que em nada combina com o sentimento captado entre os deputados.
“Nessa reta final, estamos sofrendo e vamos sofrer uma guerra psicológica" com o objetivo, segundo ela, de produzir um “efeito dominó" interessado em tornar irreversível a derrota domingo.
Uma esperança, de acordo com a presidenta, alimentada por números e mapas de votos preparados dentro do próprio Planalto, a indicar a impossibilidade de os defensores do “Fora Dilma" alcançarem os 66,6% dos votos necessários na Câmara. Até agora, disse ela, o único indicativo real existente são os 58% obtidos pela oposição na comissão especial do impeachment. Na entrevista, falou também da dupla peemedebista Eduardo Cunha, presidente da Câmara, e Michel Temer, vice-presidente da República, chamados por ela publicamente de “chefe e vice-chefe do golpe". “Uma das questões mais perversas dessa história é quem comanda o meu processo", disse ela, referindo-se a Cunha. “Mas o mais grave não é que ele presida o impeachment. É que a proposta que está na mesa contra a minha permanência no cargo de presidente tem ele como vice. Ele será o vice-presidente da República. E tem com o atual vice uma relação de profunda sociedade".
PACTO - Caso escape da cassação, Dilma diz que sua primeira iniciativa será propor um pacto nacional “sem vencidos e sem vencedores". Um chamamento ao País, inclusive à oposição, para que todos recolham as armas. “A crise é muito forte para a saída não ser um pacto", afirmou. Dilma destacou dois pontos do pacto. O primeiro é a reforma política. Sem dificultar a criação de partidos (hoje existem quase 30 representados no Congresso) e sem um reordenamento dos atuais, nenhum governante terá sossego. “O sistema político brasileiro hoje se mostra muito receptivo a expedientes golpistas inconstitucionais. Por quê? Porque ele é frágil". O outro ponto do pacto seria uma reforma tributária que ataque a injustiça tributária brasileira. Um regime conhecido mundialmente por sua regressividade, a cobrar mais impostos sobre consumo, algo punitivo dos mais pobres, do que da renda ou do patrimônio, em que o ônus pesa mais sobre os ricos. “Este país está muito calmo porque teve uma redução brutal da desigualdades".


