Francisco de Assis Neto, preso pela Polícia Federal no início do mês, vinculou o dinheiro vivo entregue no escritório de sua empresa à campanha do deputado Marco Antônio Cabral (PMDB-RJ), filho do ex-governador Sérgio Cabral (PMDB), preso desde novembro. O repasse de dinheiro em espécie à sala da Corcovado Comunicação foi relatado pelos doleiros Renato e Marcelo Chebar em delação premiada ao Ministério Público Federal sobre o esquema de propina do ex-governador. De acordo com planilha entregue pelos dois, a empresa de Kiko, como o empresário é chamado, foi o destino de R$ 7,7 milhões em dinheiro em 2014. Ex-vendedor de seguros, Kiko, foi Secretário de Comunicação em Duque de Caxias no primeiro governo de Washington Reis e depois subsecretário de Eventos na gestão de Sérgio Cabral.
Kiko afirmou, contudo, que não recebeu a quantia. Ele disse que o endereço fornecido pelos delatores foi uma sala de sua empresa cedida de graça para a campanha de Marco Antônio. No local, trabalhava uma publicitária funcionária da Corcovado identificada apenas como Danielle, mesmo nome que consta na tabela dos doleiros ("Dani"). Disse que não presenciou a entrega de dinheiro, mas afirma que "Dani" "lhe relatou que recebia valores para honrar os compromissos de campanha" do então candidato. Ele disse não saber o total repassado desta forma.
Os R$ 7,7 milhões descritos pelos delatores supera inclusive o valor declarado por Marco Antônio Cabral ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) como gasto total de sua campanha (R$ 6,8 milhões). A Corcovado Comunicação também não aparece como fornecedora da candidatura. Kiko, que também trabalhou na campanha do filho do ex-governador, disse que era o responsável por levantar os gastos de campanha.


