Regulamentação do setor impulsiona economia e gera 15 mil empregos
O mercado brasileiro de apostas esportivas regulamentado se consolida como uma nova força econômica no país. De acordo com o levantamento “Panorama do Mercado de Apostas de Quota Fixa”, o setor formal de apostas pode gerar até R$ 28 bilhões em impacto econômico e sustentar 15 mil empregos diretos e indiretos, a maioria com remuneração acima da média nacional.
Segundo o estudo, elaborado pela LCA Consultores e Cruz Consulting, a pedido do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) e da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), a arrecadação tributária federal deve atingir R$ 9 bilhões até o fim de 2025, com adicional de R$ 600 milhões em tributos municipais.
Esse volume de recursos é equivalente ao financiamento de mais de 7 mil professores da rede básica e 23 unidades básicas de saúde. O salário médio dos profissionais do setor chega a R$ 7 mil, mais que o dobro da média brasileira, e cerca de dois terços dos trabalhadores têm formação superior.
As casas de aposta regulamentadas se tornaram também os principais patrocinadores do futebol nacional, com investimento estimado em R$ 1,1 bilhão por temporada apenas entre clubes da Série A. Esse valor supera em várias vezes as premiações de campeonatos tradicionais e reforça o papel do setor como motor financeiro do esporte.
Esportes populares em casa de aposta
O levantamento mais recente de uma casa de aposta referente a agosto de 2025 indica o futebol como esporte mais popular entre os usuários, responsável por 88,17% dos palpites e 83,49% dos apostadores ativos. Em seguida, aparecem tênis (7,02%), basquete (3,37%), vôlei (0,19%) e MMA (0,18%).
Entre os campeonatos, o Brasileirão lidera as preferências, concentrando 11,87% das apostas, seguido da Série B (5,10%) e da Copa Libertadores (4,50%). A KTO também aponta que 47,7% das entradas são realizadas ao vivo, evidenciando o interesse do público em acompanhar os eventos esportivos em tempo real.
Perfil do apostador
Dados da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda mostram que, no primeiro semestre de 2025, 17,7 milhões de brasileiros realizaram apostas de quota fixa. O relatório indica que 71% dos apostadores são homens e 28,9% mulheres. A faixa etária predominante é a de 31 a 40 anos (27,8%), seguida por apostadores entre 18 e 25 anos (22,4%) e 25 a 30 anos (22,2%).
A média de gasto efetivo por apostador ativo é de R$ 164 por mês, considerando o total de apostas menos os prêmios pagos. Segundo o órgão, o mercado legal conta com 82 empresas autorizadas e monitoradas, e mais de 23 mil sites ilegais foram bloqueados desde 2024, evidenciando o avanço da regulação e da fiscalização do setor.
Beneficiários de programas sociais
Em cumprimento a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), o governo federal anunciou um sistema que impede beneficiários do Bolsa Família e do Benefício de Prestação Continuada (BPC) de realizarem apostas em plataformas online.
Segundo o secretário de Prêmios e Apostas, Regis Dudena, as casas de aposta legalizadas terão de consultar, por meio do Serpro, um banco de dados unificado que identificará se o usuário é beneficiário de programas sociais. Caso seja, depósitos e apostas serão bloqueados automaticamente.



