Banco Central reduz taxa Selic para 13,75% ao ano em meio a cenário de incertezas globais
- set 17, 2026 - Por Redação Jornal Capital
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Por unanimidade, Copom corta os juros básicos da economia pela quinta vez seguida, citando conflitos no Oriente Médio e desafios climáticos, enquanto a inflação oficial apresenta desaceleração.
Apesar das tensões em torno da guerra no Oriente Médio e do impacto do fenômeno climático El Niño, o Banco Central (BC) cortou os juros básicos da economia pela quinta vez consecutiva. Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a Taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano, decisão que já era esperada pelo mercado financeiro.
“O ambiente externo permanece incerto em função da indefinição acerca dos conflitos armados no Oriente Médio e da incerteza sobre a política monetária em algumas economias avançadas. Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities”, destaca o comunicado oficial do colegiado.
Entre junho de 2025 e março deste ano, a Selic permaneceu em 15% ao ano, patamar que representava o maior nível em quase duas décadas. O Copom retomou os cortes em abril, amparado por um cenário de arrefecimento da inflação. No entanto, os desdobramentos geopolíticos e climáticos continuam a impor desafios adicionais à condução da política monetária. Na esfera institucional, o Copom operou desfalcado devido à expiração dos mandatos dos diretores de Organização do Sistema Financeiro, Renato Gomes, e de Política Econômica, Diego Guillen, no fim de 2025, cujos substitutos ainda não foram encaminhados pelo Poder Executivo ao Congresso Nacional.
Comportamento da inflação
A Selic atua como o principal instrumento do Banco Central para ancorar a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em agosto, o indicador registrou variação negativa de 0,32%, o menor patamar em quatro anos, impulsionado pelo bônus de Itaipu nas contas de energia elétrica. No acumulado de 12 meses, o índice recuou para 4,22%, frente aos 4,44% observados em julho.
Os preços dos alimentos também colaboraram para o alívio inflacionário no mês passado, com retração de 0,34%. Contudo, os efeitos projetados do El Niño tendem a pressionar o custo dos alimentos nos próximos meses. Pelo modelo de meta contínua, vigente desde janeiro de 2025, o alvo central a ser perseguido pelo BC é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo (intervalo entre 1,5% e 4,5%), apurado de forma móvel mês a mês.
Enquanto o relatório do BC apontava em junho uma projeção de 5,2% para o IPCA de 2026, as expectativas coletadas pelo boletim Focus indicam que a inflação oficial deve encerrar o ano em 4,9%, mantendo-se acima do teto da meta.
“Em relação ao cenário doméstico, o conjunto dos indicadores divulgados desde a última reunião mostra uma moderação gradual da atividade econômica, principalmente em setores mais cíclicos, embora ainda em patamar resiliente, e mercado de trabalho aquecido. Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e a média das medidas subjacentes desaceleraram, situando-se abaixo do limite superior do intervalo de tolerância, porém ainda acima da meta”, aponta o comunicado.
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Impacto no crédito e projeções econômicas
A flexibilização da taxa básica estimula a atividade econômica ao baratear o crédito, o que favorece a produção e o consumo, embora reduza a potência no controle inflacionário. O Banco Central estima uma expansão de 2% para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, enquanto analistas consultados pelo boletim Focus projetam um crescimento ligeiramente mais conservador, de 1,89%. (com informações da Agência Brasil)




