Garotinho desiste de recurso no TSE e eleição para o governo do RJ pode ser decidida em primeiro turno
- out 06, 2026 - Por Redação Jornal Capital
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Ex-governador retira ação que mantinha sua candidatura sub judice, abrindo caminho para que Douglas Ruas alcance mais de 50% dos votos válidos na disputa pelo Palácio Guanabara.
O candidato ao governo do Rio de Janeiro Anthony Garotinho (Republicanos) anunciou, nesta segunda-feira (5), que desistiu do recurso que mantinha no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para tentar reverter o indeferimento de sua candidatura. Com o movimento, o político abre caminho para que Douglas Ruas (PL) ultrapasse a marca de 50% dos votos válidos, o que pode resultar em uma vitória já no primeiro turno das eleições.
Garotinho terminou o pleito realizado no domingo (4) como o terceiro colocado, conquistando 274.411 votos (3,17% da preferência do eleitorado). Como sua situação estava sub judice, esses votos aguardavam validação definitiva da Justiça Eleitoral. Sem eles no cômputo oficial, os 4,27 milhões de votos de Douglas Ruas passam a representar 50,88% dos votos válidos, configurando maioria absoluta e dispensando a realização de um segundo turno, que estava previsto para o dia 25 de outubro. O segundo colocado na disputa foi o ex-prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes (PSD), que obteve 42,76%.
Formalização e críticas
A equipe jurídica da campanha de Garotinho protocolou o Termo de Desistência do Recurso Ordinário Eleitoral direcionado ao ministro do TSE Floriano de Azevedo Marques, relator do processo. Em nota enviada à imprensa, o candidato criticou o cenário político e afirmou se considerar perseguido:
“Em função do resultado manifestado nas urnas, não me resta outra decisão jurídica, a não ser desistir, de forma livre, expressa, consciente e irretratável, do recurso ordinário eleitoral interposto nos autos do referido processo que tramita no TSE, deixando para o povo do nosso estado arcar com a consequência das suas escolhas”, escreveu.
O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) esclareceu que a decisão formal de declarar a nulidade dos votos cabe ao próprio TSE. Questionado, o tribunal superior informou que o processo permanece em trâmite e que "não se manifesta sobre temas ou casos que possam vir a ser ou são objetos de análise na Justiça Eleitoral".
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Contexto da inelegibilidade
Na antevéspera do pleito (2), o ministro Floriano de Azevedo Marques havia determinado que os votos dados a Anthony Garotinho fossem contabilizados como separados até uma deliberação final. O nome do candidato ainda apareceu nas urnas eletrônicas porque a decisão do TRE-RJ que barrou seu registro ocorreu após o lacre e o fechamento do sistema de votação.
Em setembro, o TRE-RJ concluiu que o ex-governador estava inelegível com base na Lei da Ficha Limpa, devido a uma condenação por ato doloso de improbidade administrativa proferida em 2018 pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ). O caso envolveu o desvio de R$ 234,4 milhões da Secretaria Estadual de Saúde entre 2005 e 2006, período em que o governo estadual era exercido por sua esposa, Rosinha Garotinho. Anthony Garotinho governou o estado entre 1999 e 2002.
Desempenho familiar nas urnas
Enquanto o cenário para o governo estadual se define, a família Garotinho registrou outros movimentos expressivos no pleito de 2026. Wladimir Garotinho, filho do ex-governador, garantiu uma cadeira na Câmara dos Deputados ao conquistar 81.797 votos, sendo o 29º candidato a federal mais votado no estado.
Wladimir já havia atuado como deputado federal entre 2019 e 2020, licenciando-se posteriormente para governar como prefeito de Campos dos Goytacazes (2021-2026), principal reduto eleitoral da família no Norte Fluminense. (com informações da Agência Brasil)
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