Auditoria do Governo do Estado aponta desvios de R$ 400 milhões na Cedae Saúde
- out 11, 2026 - Por Redação Jornal Capital
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Levantamento revela pagamento de R$ 95 milhões para offshore ligada a ex-presidente da entidade; relatório será encaminhado ao Ministério Público
Uma auditoria realizada pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro identificou indícios de desvios superiores a R$ 400 milhões na Caixa de Assistência dos Empregados da Cedae (Cedae Saúde). O levantamento, conduzido pela consultoria Grant Thornton com acompanhamento do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e da própria Cedae, apontou possíveis irregularidades no pagamento por serviços e suspeita de favorecimento de empresas vinculadas à antiga gestão da entidade. O relatório final será encaminhado ao Ministério Público para o aprofundamento das investigações e a adoção de medidas judiciais cabíveis.
Criada em 1988, a Cedae Saúde é responsável por gerenciar a assistência médica e hospitalar de funcionários ativos, dependentes, aposentados e pensionistas, somando cerca de 17 mil beneficiados. A entidade desempenha papel crucial para a categoria, oferecendo serviços essenciais como Saúde Ocupacional, Segurança do Trabalho, exames admissionais e periódicos, além da distribuição de medicamentos de uso contínuo.
A fiscalização atende ao Decreto 50.254/26, assinado pelo governador em exercício, desembargador Ricardo Couto, que determinou a revisão ampla de todos os contratos firmados por secretarias, autarquias e empresas públicas estaduais.
Pagamento a offshore e dados apagados
As investigações começaram logo após a exoneração do então presidente da Cedae Saúde, Eric Frederik Gualberto, em 23 de junho de 2026. Ao assumir o comando da instituição, a nova diretoria constatou que os arquivos contendo os nomes dos fornecedores e toda a contabilidade do período entre dezembro de 2023 e abril de 2026 haviam sido apagados dos sistemas.
Apesar da tentativa de ocultação, os auditores conseguiram recuperar os dados digitais. A análise do material recuperado revelou indícios de favorecimento a empresas ligadas à antiga administração. Entre os achados mais graves, a investigação apontou que quatro empresas integrantes de uma offshore ligada a Eric Frederik Gualberto nas Ilhas Virgens Britânicas receberam R$ 95 milhões durante a sua gestão à frente da Cedae Saúde.
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Repasses inflacionados e redução de 70% nos custos
Na estrutura anterior, a Diretoria Financeira e de Relações com Investidores da Cedae efetuava repasses mensais destinados ao custeio do plano de saúde. Contudo, a gestão atual verificou que as quantias enviadas para a manutenção da entidade eram discrepantes e muito superiores às reais necessidades operacionais.
Durante a administração investigada, o repasse mensal à Cedae Saúde ficava em uma média de R$ 20 milhões. Com a reestruturação e a revisão dos contratos promovidas pela nova diretoria, o valor necessário para manter as operações caiu para cerca de R$ 6 milhões ao mês — uma redução de 70% nos gastos públicos.
Todo o detalhamento e as evidências colhidas pelos auditores constam no processo publicado no Sistema Eletrônico de Informações sob o número SEI-150017/009333/2026.




