A ex-primeira-dama Adriana Ancelmo, mulher do ex-governador Sérgio Cabral, foi recebida com um grande protesto na noite de quarta-feira (29), no retorno ao seu apartamento, no bairro do Leblon, onde cumprirá prisão domiciliar. Ela deixou o Complexo Prisional de Bangu após quase quatro meses presa por suspeita de envolvimento em negócios ilegais e corrupção praticados por Cabral e outros acusados. Sérgio Cabral tem inúmeros de processos abertos pelo MP e continua preso em Bangu.
A viatura da Polícia Federal que transportou a ex-primeira-dama chegou pontualmente às 20h no número 27 da Rua Aristides Espínola, quando foi cercada por jornalistas e cerca de 50 pessoas que protestavam desde cedo em frente ao prédio onde reside o casal. Com gritos de “ladra" e “volta pra Bangu", os manifestantes chegaram a bater na viatura da PF e até uma garrafa de plástico foi arremessada contra o veículo. Após a entrada dela no prédio, os manifestantes continuaram protestando, batendo panelas e gritando xingamentos.
Adriana Ancelmo ganhou o direito à prisão domiciliar após decisão da ministra Maria Thereza de Assis Moura, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que levou em conta o fato de ela ter dois filhos, de 11 e 14 anos, e de o pai das crianças também estar preso. Adriana não poderá deixar o apartamento, de 400 metros quadrados, a não ser por emergência médica, e todos os meios de comunicação da residência foram retirados, incluindo rede de telefonia, de internet e até mesmo o interfone. Os visitantes deverão deixar os aparelhos celulares na portaria do prédio. (Agência Brasil)
Ministra pede que tratamento seja
o mesmo para outras detentas
A ministra dos Direitos Humanos, Luislinda Valois, encaminhou um ofício à presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, solicitando que o benefício concedido à ex-primeira-dama do Rio de Janeiro Adriana Ancelmo seja estendido a todas as mulheres em situação semelhante. Mulher do ex-governador Sérgio Cabral, Adriana deixou o Complexo Penitenciário de Gericinó (Bangu), na zona oeste do Rio, onde estava presa preventivamente desde o dia 17 de dezembro pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa. O juiz da 7.ª Vara Federal Criminal do Rio, Marcelo Bretas, autorizou a saída com base em uma norma do Código de Processo Penal que permite a mudança de regime de prisão para mulheres que tenham filho de menos de 12 anos e estejam cumprindo prisão preventiva.
- Diante da decisão em acostado a este expediente, como ministra do Estado dos Direitos Humanos e além disso e principalmente, por ser cidadã brasileira, percebo que tenho o dever de recorrer a Vossa Excelência para que juntos adotemos medidas legais urgentes no sentido de que aquele DECISU mesmo ainda passível de recurso, seja aplicado extensivamente a todas as mulheres brasileiras que encontrem em situação análoga, sem qualquer distinção e no menor espaço de tempo possível. É como penso - justificou Luislinda em seu ofício.


