Segundo o diretor da Diretoria de Estudos e Políticas Macroeconômicas do Ipea, José Ronaldo de Castro Souza Jr., a previsão para a retomada econômica do instituto leva em conta a recuperação da indústria e da agropecuária que tem previsão de supersafras de soja e grãos em geral. Segundo o Ipea, estas estimativas consideram um cenário em que não haverá grandes mudanças no ambiente externo, que a situação política doméstica se estabilizará e que o Brasil continuará avançando na estruturação de um arcabouço legal que dê suporte a um novo regime fiscal, condição essencial para a viabilidade da retomada do crescimento.
O diretor explicou que as projeções do Ipea estão condicionadas à aprovação das reformas, principalmente a previdenciária, que devem viabilizar a melhora das contas públicas, a reversão na trajetória de alta da dívida pública federal, que subiu para R$ 3,134 trilhões em fevereiro, e a melhora do ambiente de negócios. “A gente fez a análise baseada num cenário com reformas. A aprovação ou não de reformas terá grande impacto tanto nas projeções deste ano quanto do ano que vem", disse Souza Jr. “Se as reformas não forem aprovadas, o cenário fica muito incerto. É essencial que hoje a gente tenha algum nível de certeza sobre a capacidade do governo de reverter a trajetória de dívida pública, que continua em expansão".
O processo de desinflação em curso, segundo as projeções, continuará ao longo deste ano e o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve fechar o ano em 3,9%, bem abaixo do centro da meta de inflação para o ano (4,5%). O cenário traçado pelo Grupo de Conjuntura do Ipea é redução de juros, o que pode permitir ao Banco Central reduzir a taxa Selic para 8,75% ao ano no final de 2017 e mantê-la nestes mesmo patamar durante 2018. (Agência Brasil)


