Proprietário diz que Washington Reis
tem outros processos por grilagem
O empresário Sebastião Carlos Grusman está recorrendo à justiça com ação de reintegração de posse de uma propriedade de cerca de 50 mil m2 localizada às margens da Rodovia Washington Luiz, em Duque de Caxias, ao lado do Canal Guanabara, na Vila São Sebastião. Segundo ele a área foi invadida por ordem do prefeito de Duque de Caxias, Washington Reis. O empresário registrou na Delegacia de Proteção do Meio Ambiente, da Polícia Civil (RO nº 200-00264/2017, feita nesta segunda-feira (17), a destruição e danos em local de preservação permanente, aterramento de manguezal e construção em solo não edificável promovidas pela Prefeitura.
Sebastião Grusman afirmou ao Capital ter a titularidade do terreno [Minifundio], denominado Sítio Santana, junto ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) desde os anos 70, pagando regularmente os impostos, cujas guias são emitidas pelo Governo Federal, além do IPTU de alguns lotes que integram a área. No local estão afixadas placas da Prefeitura anunciando a construção de órgãos do município e de um cemitério.
O empresário lembrou que já havia registrado, em 25 de setembro de 2015, queixa na 59ª DP contra o então deputado federal Washington Reis, que havia invadido o local para reclamar a titularidade da área para o Vasco da Gama. Na época, o empresário executava uma obra de melhoria do local e foi surpreendido com a presença do parlamentar, com força policial, promovendo pessoalmente a inutilização de materiais de construção e o xingando de “bandido e ladrão", segundo consta do Termo Circunstanciado nº 059-11095/2015. Segundo o empresário, a ação do deputado contou com o apoio de membros da Polícia Rodoviária Federal e da Polícia Militar, além de seguranças do Vasco da Gama.
Durante a entrevista, além dos dois Registros de Ocorrências Policiais (RO), o empresário apresentou vários documentos para comprovar a propriedade do terreno, como Guia de Recolhimento da União (GRU), Certificado de Cadastro de Imóvel Rural (CCIR) do INCRA, Guia de IPTU (Prefeitura de Duque de Caxias), Nada Consta do Ministério da Marinha em seu nome e Escritura de Cessão de Posse emitida pelo 7º Ofício de Notas de Nova Iguaçú. Exibiu ainda fotografias comprovando a intervenção de máquinas no local.
- O Washington Reis é invasor e tem outros processos de grilagem - acusou o empresário, ao anunciar que está também pedindo proteção de vida às autoridades policiais por ameaças sofridas por parte de um irmão do prefeito.
Denúncia de crime ambiental já
foi aceita e é investigada pelo MPF
“O sonho dele é ter um cemitério", diz deputado Zito ao comparar
Washington Reis ao hilário personagem Odorico Paraguaçu
O município de Duque de Caxias parece ser hoje uma cidade que não respeita o meio ambiente. Prova disso é mais uma denúncia aceita pelo Ministério Público Federal (MPF) - processo PR-RJ-00043452/2017 – dando conta de novo desmatamento ilegal em uma área de cerca de cerca de 50 mil metros quadrados na Rodovia Washington Luiz (BR-040), entre o Hospital Municipal Dr. Moacyr Rodrigues do Carmo e o Centro de Treinamento de Base do Vasco da Gama. No grande terreno desmatado e aterrado pela Prefeitura, alvo da nova denúncia, uma placa informa que serão feitas novas instalações da Prefeitura, sem indicaras respectivas licenças para a mesma, bem como a empresa responsável. Dias depois, uma nova placa foi colocada pela Prefeitura no local, identificando que ali seria construído um cemitério municipal. O terreno é de propriedade do empresário Sebastião Carlos Grusman, que registrou na Polícia Civil denúncia de invasão pela Prefeitura.
Conforme o Capital antecipou em sua última edição, quando noticiou outra denúncia de crime ambiental cometida pelo prefeito na mesma rodovia, esta foi encaminhada ao MPF em 26 de maio pelo deputado estadual José Camilo Zito, e distribuída na mesma data para o MPF em São João de Meriti, tornando-se investigação a partir da última quinta-feira (13).
O MPF já realiza outra investigação (processo NF 130017.000260/2017-68 - Criminal), cuja denúncia havia sido feita em 13 de maio e distribuída no mesmo dia para o MPF-São João de Meriti. Esta dá conta de um desmatamento em uma área localizada ao lado do Centro Empresarial Washington Luiz, na mesma BR-040, denúncia feita pelo mesmo parlamentar. Ou seja, foram duas denúncias no período de apenas 16 dias. Em ambas, o parlamentar solicita a investigação de destruição de vegetação nativa e sobre a concessão ou não de licença por órgãos ambientais.
O Capital tentou ouvir da Prefeitura as explicações sobre as denúncias, mas não obteve sucesso.
REINCIDÊNCIA - Zito, em entrevista ao Capital, mostrou-se preocupado com o desrespeito atual ao meio ambiente em Duque de Caxias. “Eu quero deixar bem claro que quando fiz a denúncia da arbitrariedade naqueles terrenos na Rodovia Washington Luiz, não foi com intenção de ser contrário à criação de um cemitério. A placa falava em futuras instalações da Prefeitura. Eu não imaginava que isso [a construção de um cemitério] fosse ocorrer numa cidade com tantos problemas nos atingido, como a falta de emprego, de saúde e educação. O Washington Reis quer botar que sou contrário à construção de cemitérios. Não sou. Eu fiz a denúncia pelo desrespeito ao meio ambiente, pelo desmatamento que acontece na cidade e não só ali. Isso está virando uma rotina em Duque de Caxias, começando em Xerém e chegando na nova fábrica da Coca-Cola. Visitei alguns locais, como o aterro do Carvalhão do Jardim Gramacho. Não há respeito à lei pelo primeiro mandatário da cidade. No Clube Silvestre em Santa Cruz da Serra, cortaram árvores centenárias. Coisas como essa não podem continuar, eu denunciei todas elas, não somente aquela área", disse.
- Na novela “O Bem Amado" tinha o personagem Odorico Paraguaçu, o sonho dele era construir um cemitério na cidade onde ele era prefeito. Estamos revivendo isso em Duque de Caxias, e eu não condeno o prefeito Washington Reis pelo sonho dele. O meu não é esse, como homem público quero ver minha cidade avançar, quero universidades públicas, novos empregos para a população, a as escolas em tempo integral, conclusão o Hospital da Mulher, o Hospital Duque funcionando 24 horas como ele prometeu em campanha, quero ver a tarifa companheira de volta, pois em Duque de Caxias a passagem de ônibus é a mais cara do Rio de Janeiro [estado], índice de assalto, roubo e morte aumentando assustadoramente. Tem o problema do lixo contaminando o Jardim Gramacho. E onde está a preocupação do prefeito com essas coisas? - indagou. “Tem pessoas que querem mostrar que são donos do mundo, donos da cidade. Essa imposição doentia não pode continuar, a vida não é assim. Quando somos eleitos é para ouvir e dialogar, buscar o que é melhor para a grande maioria, não para minoria, não para defender ambições pessoais", acrescentou.
O nome de Odorico Paraguaçu
é lembrado nas redes sociais
O anúncio da construção de um cemitério público em área de preservação na Rodovia Washington Reis pela Prefeitura trouxe de volta um famoso personagem que marcou a televisão brasileira nas décadas de 70 e 80, primeiro através de telenovela e depois com um seriado. Trata-se do prefeito Odorico Paraguaçu, com vocação para a verborragia e demagogo por natureza, o personagem principal de “O Bem Amado" criado por Dias Gomes vivido pelo veterano ator Paulo Gracindo.
Odorico Paraguaçu, como candidato a prefeito da cidade fictícia de Sucupira, fez uma promessa de campanha que ao longo de seu mandato não conseguiu cumprir: a inauguração de um cemitério. Ele retratava um político corrupto e cheio de artimanhas. De um lado, era bajulado pelo secretário Dirceu Borboleta, e contava com o apoio incondicional das irmãs Cajazeiras, correligionárias e defensoras fervorosas de Odorico: Doroteia, Dulcineia e Judiceia.
Do outro, o mandatário da cidade enfrentava forte oposição liderada pela delegada de polícia Donana Medrado, que conta com o dentista Lulu Gouveia, inimigo mortal do prefeito e líder da oposição na Câmara atracando-se constantemente com Doroteia no plenário. Tem ainda o jornal “A Trombeta", cujo proprietário Neco Pedreira tem ódio do prefeito por este ter matado o seu pai no passado.
O meio-termo se intensifica com a presença de Nezinho do Jegue, defensor fervoroso de Odorico quando sóbrio, e principal acusador, quando bêbado. Maquiavelicamente, o prefeito arma tramas para que morra alguém, sendo sempre mal-sucedido. Nem as diversas tentativas de suicídio do farmacêutico Libório, um tiroteio na praça e um crime lhe proporcionam a realização do sonho. Para obter êxito, Odorico traz de volta a Sucupira um filho da terra: Zeca Diabo, um pistoleiro redimido, que recebe a missão de matar alguém para a inauguração do cemitério. Como se não bastasse, Odorico ainda tem que enfrentar os desaforos de Juarez Leão, médico da oposição, que se envolve com sua filha Telma e faz um bom trabalho em Sucupira, salvando vidas para desespero do prefeito.
“O Bem Amado" destacou-se como um dos melhores trabalhos exibidos pela televisão brasileira, traçando um paralelo com a gestão pública contemporânea, construída e gerida por pessoas tomadas por delírios burocráticos. Como se vê, a ficção e a realidade se misturam.
Na foto (reprodução da internet)
O prefeito Odorico Paraguaçu e as irmãs Cajazeiras Doroteia, Dulcineia e Judiceia.


