Eleito prefeito de São João de Meriti no primeiro turno com 50,90% (115.403) dos votos válidos, vencendo o adversário direto Marcelo Simão (PMDB) que recebeu 46.952 votos (20,71%) e foi apoiado pelo atual prefeito Sandro Matos (PHS), o deputado federal Dr. João (PR) concedeu entrevista exclusiva ao Capital, na qual falou sobre a transição e suas primeiras ações, entre outros assuntos, após assumir o cargo de prefeito, em 1º de janeiro de 2017.
Qual é a sua expectativa com relação à transição?
Eu já comecei a planejar a transição no dia seguinte à minha vitória. Na segunda-feira à noite [dia 3] embarquei para Brasília e dividi minha agenda entre os compromissos do meu mandato de deputado federal e as articulações políticas do meu futuro governo. Conversei com os ministros do Meio Ambiente, Sarney Filho e do Esporte, Leonardo Picciani para levantar os projetos nestas duas áreas que já existem para São João de Meriti, e que podem ser retomados, e avaliamos quais novos convênios podem ser fechados.Também me reuni com meus colegas deputados da bancada do Rio para pedir que destinem parte de suas emendas parlamentares de 2017 para São João de Meriti. Dos 46 deputados, ao menos 30 se comprometeram a mandar verba para nosso município. O valor total em emendas, principalmente na área da Saúde, pode chegar a R$ 80 milhões. Esta semana, apesar do feriado, articulações com outros ministros serão feitas.Em relação ao prefeito, o que posso dizer é que ele não me procurou. Vou reunir minha equipe primeiro e depois vou procurá-lo para ver se ele dará abertura para que seja formado um gabinete de transição. Nosso trabalho será feito de qualquer maneira.
Assim que assumir o cargo, quais deverão ser suas ações?
No dia 1º de janeiro, minha primeira medida, que não está no plano de governo, mas é uma prioridade administrativa, é acertar os salários do funcionalismo.Em relação aos meus projetos que constam do Plano de Governo, pretendo priorizar a reabertura da UPA Jardim Íris. Vou me reunir essa semana com o governador do estado em exercício, Francisco Dornelles e com o secretário estadual da Saúde, Luiz Antonio de Souza Teixeira, o Luizinho, para acertar como se dará esse processo de reabertura da unidade. Outra medida será a reabertura do hospital infantil.Na área da Segurança, pretendo fazer um choque de ordem, que incluirá a limpeza e iluminação da cidade. Num segundo momento, vamos colocar câmeras de monitoramento em locais estratégicos, principalmente próximo a escolas e creches.Vou reforçar os pedidos que já fiz ao governador Dorneles para que seja instalada uma segunda delegacia em Meriti e que seja aumentado o contingente de PMs no Batalhão do município. Além disso, vamos investir na qualificação e valorização da guarda municipal.
O senhor pretende fazer um “pente fino" nas contas da prefeitura relativas à gestão atual?
Claro. Essa gestão fechou contratos absurdos de 25, 30 anos para serviços como coleta de lixo, iluminação e tratamento da água e esgotamento sanitário. O Tribunal de Contas do Estado (TCE) já suspendeu, por exemplo, o contrato de concessão por 30 anos dos serviços de limpeza urbana com a empresa Verde Gestão de Serviços e Resíduos, no valor de R$1,7 bilhão.Os contratos que ainda estiverem em vigor, vão passar por uma rigorosa auditoria para avaliar se os processos estão viciados. Esse trabalho será feito com uma firma idônea e todas as irregularidades constatadas serão denunciadas ao Ministério Público e ao TCE. Tudo será auditado e o que não estiver correto, será levado ao conhecimento da Justiça.
A situação administrativa de São João de Meriti parece ser bastante crítica. Como o senhor irá enfrentá-la?
Duas medidas terão de ser tomadas: a primeira é reduzir o número de secretarias. Hoje temos 31, cada qual com vários subsecretários e uma estrutura bastante onerosa aos cofres públicos. A segunda medida será diminuir os cargos comissionados. São João de Meriti pulou de 3 para 8 mil cargos comissionados nestes últimos oito anos da gestão do prefeito Sandro Matos. Os cargos ocupados por funcionários fantasmas, muitos deles lotados em municípios como Angra dos Reis e Mangaratiba, serão extintos.
Qual a sua opinião sobre a atual gestão, ao anunciar, logo após a eleição, uma anistia de até 100% para multas e juros sobre impostos municipais (IPTU, ISS e ITBI) válida até 31 de dezembro?
É uma atitude desesperadora que tenta inviabilizar o próximo governo na tentativa de arrumar mais dinheiro neste fim de mandato. Mas a população está atenta quanto a qualquer tentativa de ato ilícito vinda desse prefeito.
O senhor está buscando apoio ao seu futuro governo junto aos vereadores?
Já comecei esse trabalho. Na sexta-feira [dia 7], me reuni com 20 dos 21 vereadores. Só não esteve presente o vereador João da Padaria, que informou que não pôde participar por motivos pessoais. O encontro foi muito produtivo. Pedi um pacto de união pela recuperação da nossa cidade. Um prefeito, para bem governar, precisa ter como aliada uma Câmara forte.
Que mensagem deixa ao povo de sua cidade?
As pessoas me dizem que se eu for igual ao ex-prefeito José de Amorim, já ficariam satisfeitas. Mas eu quero mais do que isso. Quero terminar meu mandato como o prefeito que tudo fez pelo povo, aclamado pela população. Quero acabar com o estigma de que prefeito de São João de Meriti encerra a carreira política na cadeira da prefeitura. Peço que confiem nas nossas propostas e participem do nosso projeto de governo. A prefeitura ficará sempre de portas abertas para a população meritiense.


