Cartel do cimento pode ter causado prejuízo de R$ 1,5 bi aos consumidores
- nov 14, 2011 - Por Redação Jornal Capital
Nove em cada dez quilos de cimento vendidos no Brasil em 2006 tinham como fabricante uma das sete companhias que formavam cartel para manipulação de preços (com tabelamento e monitoramento), fixação de quota de produção, troca de informações e aquisição de empresas menores, fabricantes de concreto, para manutenção de oligopólio. A denúncia é da Secretaria de Direito Econômico (SDE), ligada ao Ministério da Justiça, que vai recomendar ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) a condenação de Votorantim Cimentos, Camargo Corrêa Cimentos, Cimpor Cimentos do Brasil Ltda, Holcim Brasil, Itabira Agro Industrial (Grupo Nassau), e Companhia de Cimentos Itambé por prática anticoncorrencial. A sétima empresa, a Lafarge Brasil, foi excluída porque já assinou com o Cade termo de compromisso para o fim da prática. A SDE vai recomendar ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) que multe as companhias produtoras de cimento, associações empresariais, o Sindicato Nacional da Indústria de Cimento, além de seis pessoas, por formação de cartel. As multas vão de 1% a 30% do faturamento.
O despacho da SDE contém ainda denúncia contra a Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Concretagem (Abesc); a Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) e o Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC). O despacho, publicado na edição do último dia 10 do Diário Oficial da União também inclui seis pessoas. O secretário de Direito Econômico, Vinícius Marques de Carvalho, calcula que a manipulação de preços feita pelo cartel tenha causado prejuízo de R$ 1,5 bilhão aos consumidores anualmente (10% do valor de faturamento do setor medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, em 2008). Ele classifica a prática como um “cartel clássico".
Segundo Carvalho, “por ser um produto homogêneo [o cimento], é muito fácil calibrar os preços". Ele ressaltou ainda a importância do produto para o aquecimento do mercado nacional. Segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic) e a Fundação Getulio Vargas, o gasto com cimento representa cerca de 8% do custo de uma obra residencial (o metro quadrado construído leva em média 120 quilos de cimento). Quatro das seis empresas apontadas pela SDE são multinacionais. De acordo com a secretaria, há investigações e condenações por cartel no setor de cimentos em outros países como a Alemanha, França, o Reino Unido, a Polônia, África do Sul, o Paquistão e o Egito.
A constatação da prática foi feita com base na apreensão de computadores, arquivos e anotações, autorizada pela Justiça Federal em 2007. A SDE iniciou a investigação graças à denúncia de um ex-empregado da Votorantim. Segundo o denunciante, cujo nome não foi revelado, há cartel no setor desde a década de 1960. Os documentos apreendidos trazem prova de intercâmbio de informação desde 1986.



