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Áudio resumo criado por Inteligência Artificial
Quando a resposta não está apenas no couro cabeludo
Há momentos em que o cabelo começa a cair e a primeira reação é quase automática: trocar o shampoo, comprar uma vitamina, procurar um tônico milagroso ou iniciar, às pressas, algum tratamento capilar.
Mas e se o problema não estiver, de fato, no fio?
O cabelo é uma estrutura visível, mas seu crescimento depende de processos que acontecem muito além do couro cabeludo. Alterações nutricionais, hormonais, metabólicas e diversos eventos que afetam o organismo podem interferir no ciclo capilar. Por isso, diante de uma queda persistente ou intensa, olhar apenas para o espelho pode não ser suficiente. Às vezes, é preciso olhar para dentro.
Um dos exemplos mais discutidos é o ferro. Esse mineral participa de processos fundamentais para o funcionamento do organismo e sua deficiência pode coexistir com diferentes manifestações clínicas. Na investigação da queda capilar, a ferritina, proteína relacionada às reservas de ferro, frequentemente desperta atenção. Estudos e revisões sistemáticas têm encontrado, em determinados grupos de pacientes com alopecia não cicatricial e eflúvio telógeno, níveis médios de ferritina mais baixos quando comparados aos de pessoas sem queda capilar.
Ferritina baixa não explica toda queda de cabelo. E nem toda pessoa com queda capilar apresenta deficiência de ferro. A ciência ainda discute diversos aspectos dessa relação, incluindo quais valores seriam mais adequados para avaliar a relevância das reservas de ferro no contexto específico da saúde capilar. Além disso, a ferritina não deve ser interpretada isoladamente: ela também pode sofrer influência de processos inflamatórios e outras condições do organismo.
É exatamente aqui que o olhar laboratorial se torna valioso. Um exame não deve ser encarado como uma sentença, mas como uma peça de um quebra-cabeça. Hemograma, ferritina e outros marcadores podem ajudar a investigar possíveis alterações, sempre de acordo com a história clínica e a avaliação profissional.
Como citado anteriormente, o ferro não é o único personagem dessa história. A tireoide, pequena glândula localizada no pescoço, exerce influência sobre diversos processos metabólicos do organismo. Quando sua função está alterada, diferentes sistemas podem ser afetados, inclusive o ciclo de crescimento dos cabelos. Tanto alterações relacionadas à redução quanto ao excesso da atividade hormonal podem estar associadas a mudanças na textura e à queda capilar em determinados pacientes.
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Mas, novamente, seria um erro transformar essa informação em uma fórmula simples. Ter queda de cabelo não significa, automaticamente, ter um problema na tireoide. Alopecia é um termo amplo. Existem diferentes tipos de queda capilar, com mecanismos e causas distintas. Há situações relacionadas à predisposição genética, alterações hormonais, doenças autoimunes, medicamentos, eventos fisiológicos, processos inflamatórios e períodos de grande estresse para o organismo, entre muitos outros fatores.
Um exemplo é o eflúvio telógeno, caracterizado por uma queda difusa dos fios e que pode ocorrer após eventos capazes de alterar o ciclo capilar, como doenças, cirurgias, febre, importantes mudanças fisiológicas e outros gatilhos. Nesses casos, investigar a história do paciente é tão importante quanto solicitar exames.
É por isso que o tratamento capilar não deveria começar, necessariamente, pelo produto. Antes de suplementar ferro por conta própria, consumir vitaminas indiscriminadamente ou iniciar terapias sem compreender o tipo de queda, existe uma pergunta mais importante: por que esse cabelo está caindo? A resposta pode exigir observação clínica, avaliação do padrão da alopecia e, quando indicado, investigação laboratorial.
Talvez essa seja a maior lição quando falamos sobre queda capilar: nem todo problema visível começa onde conseguimos enxergá-lo. Antes de tentar salvar os fios, pode ser necessário investigar o organismo que os sustenta. Porque, na busca por resultados estéticos, existe algo que não deveria sair de moda: tratar a causa sempre será mais inteligente do que apenas tentar esconder o sinal.
CRBM: 10956
Ana Clara Cunha



