CVM multa Daniel Vorcaro em R$ 20 milhões por fraude em fundo imobiliário
- set 09, 2026 - Por Redação Jornal Capital
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Colegiado da autarquia condenou por unanimidade o ex-banqueiro, o Banco Master e outros envolvidos em processo que investigou ativos sobreavaliados e prejuízos de R$ 5,8 milhões a investidores.
Por unanimidade, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) condenou nesta terça-feira (8) o ex-banqueiro Daniel Vorcaro a pagar uma multa de R$ 20 milhões por uma operação envolvendo o fundo imobiliário Brazil Realty, considerada fraudulenta pela autarquia. O Banco Master foi penalizado em R$ 12,5 milhões. No total, o julgamento puniu sete pessoas e nove empresas, somando multas de R$ 201 milhões.
O processo investigou a utilização de ativos sobreavaliados e operações no mercado secundário — quando papéis emitidos anteriormente trocam de donos —, identificando um prejuízo real de R$ 5,8 milhões para investidores, incluindo fundos com regimes próprios de previdência de servidores entre os cotistas.
Funcionamento do esquema e liquidez artificial
Instaurado em 2020 pela área técnica da CVM, o procedimento apurou irregularidades na emissão e na distribuição de cotas do Brazil Realty. O relator do caso, diretor João Accioly, votou pela condenação dos acusados, acompanhado integralmente pelos demais integrantes do colegiado no Rio de Janeiro.
Segundo a acusação, o esquema utilizava laudos inadequados para superestimar o valor de imóveis e outros bens repassados ao fundo na terceira emissão de cotas, iniciada em 2018, que captou R$ 139,1 milhões. Na sequência, empresas ligadas aos investigados realizavam operações no mercado secundário para forçar liquidez artificial aos papéis. A Entre Investimentos, por exemplo, executou 177 operações que movimentaram cerca de R$ 351 milhões em compras e R$ 358 milhões em vendas, permitindo que novos investidores entrassem no negócio com base em preços artificialmente inflados.
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Defesa e desdobramentos
A defesa de Daniel Vorcaro contestou a decisão e negou a existência de provas individualizadas de conduta irregular. Durante a sessão, a advogada Ana Paula Casagrande questionou a apresentação de elementos concretos que comprovassem o uso de meios fraudulentos pelo ex-banqueiro para induzir investidores ao erro. Os demais réus também sustentaram que as operações seguiram as regras de mercado.
O Banco Master, instituição posteriormente liquidada pelo Banco Central, movimentou recursos na terceira emissão e obteve resultado positivo calculado em R$ 10,8 milhões nas operações com cotas, segundo a autarquia.
Os condenados ainda podem apresentar recurso ao Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional (CRSFN). O processo administrativo da CVM corre de forma independente das investigações criminais conduzidas pela Polícia Federal, que resultaram na prisão de Daniel Vorcaro em novembro de 2025 (Operação Compliance Zero) e em março de 2026. (com informações da Agência Brasil)




