A Usina de Tratamento de Biogás do Aterro Dois Arcos, inaugurada nesta segunda-feira (4) pelo governo do Rio em São Pedro da Aldeia, em conjunto com as empresas Osafi e Ecometano, vai transformar em gás natural cerca de 600 toneladas de lixo produzidas diariamente por oito municípios da Região dos Lagos, que formam o consórcio que construiu o aterro sanitário. São eles: São Pedro da Aldeia, Búzios, Iguaba Grande, Arraial do Cabo, Cabo Frio, Casimiro de Abreu, Silva Jardim e Araruama. O projeto recebeu investimento de R$ 18 milhões. A usina ainda não está ligada à rede da Companhia Estadual de Gás do Rio de Janeiro (CEG-Rio), e, até que o gasoduto seja construído, o biogás produzido no local será comprimido e entregue a um consumidor industrial. Também nesta fase inicial, o gás obtido vai abastecer os caminhões que fazem o recolhimento do lixo e os veículos da própria companhia, que funcionarão com gás natural veicular (GNV).
A distribuição do produto aos consumidores será feita sem custos adicionais. “O consumidor não vai distinguir que está consumindo uma mistura [de gás natural e biogás], nem tem mudança no preço", afirmou Maria Paula Martins, coordenadora do Programa Rio Capital da Energia. De início, a produção diária será de 6 mil metros cúbicos de gás e, em oito anos, deve chegar a 20 mil metros cúbicos, com produção estimada de 5 milhões de metros cúbicos de biogás purificado por ano.
Maria Paula lembrou os benefícios ao meio ambiente e disse que a usina vai evitar o lançamento na atmosfera de cerca de 470 mil toneladas de dióxido de carbono até 2020 e poderá gerar créditos de carbono, que serão emitidos pela Organização das Nações Unidas (ONU). “Tem um aproveitamento nobre. O setor energético é caro, e a gente acaba usando [o lixo] de forma produtiva para a empresa", avaliou.
De acordo com o pesquisador do Instituto Luiz Alberto Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Luciano Basto, o Brasil economizaria cerca de R$ 32 bilhões por ano se reaproveitasse todo o lixo produzido. Se a conta incluir os resíduos da pecuária confinada e da agricultura, a economia ultrapassaria R$ 100 bilhões anuais. Na avaliação do pesquisador da Coppe-UFRJ, o caminho economicamente viável e ambientalmente mais adequado “é pensar na substituição de combustível veicular, porque o Brasil é importador de diesel e gasolina, que podem ser substituídos por biometano". Este gás tratado, segundo ele, é competitivo do ponto de vista financeiro na comparação com combustíveis líquidos. (Agência Brasil)


